21/10/2023

Questões do baixo ventre (mas sem escatologia)

 Furo jornalístico: em Lamego, camionista da Transportes Paulo Duarte é despedido com dois socos na barriga e um estalo no ouvido do patrão. No mesmo cenário, para evitar que o homem se defendesse, estava um mecânico com um pau. Creio que não preciso de dizer mais nada... O que é que ele fez? Coitado do homem, pá!

Olá, olá! Mais uma semanita que se passou, hein? Pois, também foi o que me pareceu... Antes de começar, tenho apenas que me desculpar por causa de uma situação: o simpósio de hoje estava pensado para ser à volta do tópico “A Física Quântica e a Espiritualidade”, que creio ser do interesse da generalidade do meu público. No entanto, como sou um completo leigo em ambas as matérias e o senhor que eu tinha escalado para fazer o comentário recusou o convite, irei abordar, em contrapartida, a temática “Roupa Interior: sua utilidade, seu manuseio e suas implicações no âmbito socio-cultural”. Capítulo desta edição: baixo ventre e arredores. Acreditem que também tem o seu interesse. Feita esta pequena adenda, creio que podemos prosseguir com a nossa crónica!

  • O primeiro ponto que eu gostava de abordar é a eterna dicotomia entre cuecas e boxers. Há apologistas da cueca, há apologistas do truço. Creio que ambas as visões estão correctas, tirando, talvez, o facto de que apenas uma delas está, no caso a minha: que eu não sou particularmente apreciador de cuecas. Isto porquê? Porque se, normalmente, todo e qualquer par de boxers que eu use gosta de dar uma de Júlio Verne e desatar numa "Viagem ao Centro de Mim", então as cuecas investem nesta coisa de se enfiar em certos regos com a pujança de uma Armada Espanhola na América Latina! É impossível andar um dia inteiro de cuecas sem fazer aquilo a que os japoneses gostam de chamar... algo de que não me lembro (eu tenho a certeza de já ter ouvido falar deste termo, mas na pesquisa não cheguei a nenhuma conclusão satisfatória, de maneiras que pronto...), ou seja, retirar as cuecas – vamos lá ver – do cu, que é mesmo assim! Não sei ainda bem por que comportamento das nádegas, mas o certo é que todo e qualquer par de “calcinhas”, como dizem os nossos irmãos Brasileiros, acabam, invariavelmente, por ir dizer olá ao nosso recto. Como se costuma dizer, há três coisas certas na vida: a morte, os impostos e cuecas a enfiarem-se em regos. Temos é que aprender a viver com isso;
  • O segundo (e último, porque eu não tenho assim tanto a dizer acerca disto) ponto de que vos venho falar é, de uma forma geral, o chamado “modo commando”. Andar em “modo commando” é, simplesmente, andar sem roupa interior. E eu, enquanto especialista na matéria, devo dizer que sou 100% a favor destas práticas, principalmente para dormir! “Ah e tal, mas isso não é pouco higiénico?”. Vamos lá ver uma coisa: é certo que se fala muito dos benefícios de dormir com roupa-interior, e até acredito que possa ser melhor para a nossa saúde, mas a sensação libertadora de dormir com certos e determinados apêndices soltos ao sabor do vento, justifica toda e qualquer infecção urinária que se apanhe! Quanto às senhoras, não sei! Tenho pena que vocês não possuam um órgão reproductor masculino que possam libertar das amarras do opressor boxer. Mas, também, se tivessem, deixava de ser especial. É bom saber que faço parte dos cerca de 50% de população mundial que pode, e citando Delfins, “soltar os prisioneiros”! Somos uns felizardos, a verdade é essa! Por falar em pénis (sei que esta é uma transição estranha, mas já vão perceber), há uma situação em que o “modo commando” não é muito aconselhado, que é quando estamos a experimentar calças de ganga (ou, pelo menos, calças com fecho éclair). Logicamente, para verificar se as calças nos servem ou não, temos que fechar o zipper. Ao fazê-lo, muitas vezes – e falo por experiência própria – acabamos por trilhar certas e determinadas situações nos dentes dos trilhos por onde corre o cursor do fecho éclair. E não é uma dor agradável, isso vos garanto! É quase uma auto-circuncisão, aquilo a que somos sujeitos. Crianças, não tentem isto em casa! Adultos, façam o que vos apetecer!

E pronto, assim se encerra mais uma destas magníficas crónicas! Na próxima, espero ver-vos no mesmo sítio (“Big Brother is always watching you”)! Até para a semana!



14/10/2023

Amor, Púbere Amor

 A nível de músicas que acabam com referências a necessidades fisiológicas, a minha favorita é, sem qualquer dúvida, o super-êxito "She", do Charles Aznavour, que encerra com "She, she"!

Hallo, Leute meines Herzens! Tudo bem? Como foi a vossa semana? Espero que tenha correspondido às vossas expectativas, ao contrário da minha, que me trouxe um mindinho do pé que (em princípio) estará partido... Bom, mas isso já são pormenores extremamente irrelevantes para vós, que eu sei perfeitamente que a minha saúde não vos interessa. E ainda me ando eu a preocupar convosco, sinceramente...

Esta semana, aquilo que eu proponho é a actividade altamente prazerosa de cascar nos adolescentes, nas suas práticas e em tudo o que eles representam! Porque eu - ainda que sendo, em termos legais, um adolescente – detesto essa gente! É uma faixa etária de pessoas vazias, medíocres, incultas e ignorantes, brutas (na sua forma de ser), completamente desinteressadas no que quer que seja, com gostos muito questionáveis e, de uma forma geral, despreocupadas com a vida, ela própria. É óbvio que isto não se aplica a todos os adolescentes que existem, mas a carapuça servirá, estou confiante, à grande maior parte deles (e recorro aqui a um pleonasmo para reforçar a ideia de que é MESMO a maior parte)! Dito isto, comecemos então a malhação nestes jovens adultos e adultos-criança. Talvez faça sentido chamar a esta "a 1ª Edição" deste auto-de-fé adolescente, porque há aqui muito suminho e muita coisa que me irrita, e numa crónica só não consigo abordar todos os temas. Portanto, nesta 1ª edição, vamos falar de namoros adolescentes!

Os namoros adolescentes são, estou convencido, das coisas mais ridículas que há. Acho estranho como pessoas que ainda mal se descobriram a elas próprias conseguem "dar amor" a quem quer que seja. Porque, sejamos francos, namoros adolescentes são como o Titanic: ao primeiro iceberg, vai tudo por água abaixo! Como o cocó. O cocó também costuma ir por água abaixo. Desta feita, conclui-se que namoros adolescentes são cocó! Agora, vocês poderiam alegar que "Ah e tal, que tu também namoras!". Antes de mais, acho que vocês deviam parar com essa mania de começar frases com interjeições. Irrita um bocadinho. Depois, eu namoro, está bem, mas é diferente, primeiro, porque eu estou num plano superior, relactivamente aos adolescentes. Eu vejo-os de cima, de um plano mais reflexivo, quase que de semi-Deus (se bem que Deus não existe, mas pronto...), por isso não conto como adolescente; segundo, porque o avaliador das situações, o grande pensador, o filósofo das miudezas do quotidiano, não pode entrar para as estatísticas; e terceiro, porque eu não sou exemplo para ninguém! Como diria o meu pai, "Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço", e ponto final, parágrafo!

Uma das coisas que os casais adolescentes (principalmente as meninas) fazem, e que me irrita profundamente, é colocar fotografias dos dois ou apenas do namorado entre a parte de trás e a capa do telemóvel! E quando falo de fotos, refiro-me às mais pirosas que existem: aquela espécie de polaroids que se tiram com as Instax que agora toda a gente tem! Uh, que as fotografias saem instantaneamente e com um tamanho apropriado para colocar onde bem nos apetecer! Está bem, mas isso não quer dizer que tenhas que andar com uma foto do Nelson, que tira negativas a Geografia, mas que já conseguiu beber 12 shots de absinto de uma vez e ficar de pé, na capa do teu iPhone 11 Pro Max recondicionado! Ninguém quer ver esse gajo, com o seu degradêzinho no cabelo e o acne a atacar na testa, de cada vez que tu pegas no telemóvel! É só estúpido, mesmo! E novamente, aleguem que a minha namorada também anda com uma foto minha. Está bem, digam o que quiserem, mas como sou eu, e eu estou, lá está, num plano superior, não conta!

Outra questão que me chateia é uma coisa que os jovens casalitos fazem nas redes sociais, designadamente a nível dos stories do Instagram. O que é que sucede? De cada vez que fazem um mêsversário de namoro, colocam uma história daquelas mesmo minimalistas, como tanto gostam, a anunciar que concluem, por exemplo "0.4 anos de namoro". O problema é que, quando vamos a investigar, eles estão a concluir apenas o quarto mês de namoro! Ora, qual é o erro aqui? Eles estão a levar a cabo a contagem como se fosse uma escala decimal quando, na realidade, um ano tem doze meses, logo não vai bater certo. Porque, na óptica deles, o número 1 corresponde, lá está, a um ano de namoro, mas fazendo as contas como estão a fazer, um ano irá corresponder a 1,2! Para isto fazer algum sentido, eles teriam que considerar que um mês equivalia, mais coisa, menos coisa, a 0,083. Mas pronto, isso já são muitas contas para eles fazerem... Deixemo-los viver na ilusão porque, com jeito, não vão ter que se preocupar com isso, porque, em princípio, não irão sequer chegar a um ano de namoro... Até para a semana!



07/10/2023

Trabalhos de Casa #15: "O Sol e a Chuva"

 Muito bom dia, gente linda, gente boa do meu coração! Cá estamos, mais uma vez, em mais uma semana de crónicas daquelas mesmo boas. Pfff... Quem é que eu quero enganar? Não, isto não é a “Coisa Que Não Edifica Nem Destrói” do Ricardo Araújo Pereira! É a Psique de Guilherme... Na realidade, trata-se do episódio de estreia da segunda temporada da rubrica favorita da Psique: os “Trabalhos de Casa”! Uh! Espectacular! Não é espectacular... É medianozinho, vá! É só muito mais ou menos, mais p’ra mal do que p’ra bem! É um pequeno pólo de entretenimento no meio deste imenso oceano que é a Internet, é certo, mas isso também os vídeos de adolescentes a comer cápsulas de detergente Finish no TikTok! O público, decerto, não será o mesmo, mas acaba por cair um bocado na mesma categoria! Dito isto, vamos começar esta pândega! Entrego-vos, nesta volta dos Trabalhos de Casa, o texto que escrevi no dia não-sei-quantos de Fevereiro de 2016, no âmbito da já tão conhecida série “Onde me leva a imaginação”, “O Sol e a Chuva”:

Era uma vez o Sol que tinha uma amiga Nuvem. Um dia eles estavam a descansar quando apareceu o filho da Nuvem a chover e triste. O Sol perguntou:

_ O que se passa pequenote?_ Mas ele não respondeu. O Sol voltou a perguntar:

_ O que se passa pequenote?_ Mas ele não respondeu novamente. Desta vez o Sol perguntou à Chuva o que se passava. Ela respondeu:

_ É que o rapaz nasceu ontem e ainda não tinha chovido. Como hoje ele ficou cheio de água, assustou-se e começou a chover. Eu posso ser testemunha disso!

_ Obrigado por me esclareceres. Queres ser minha amiga?_ disse o Sol. A chuva respondeu:

_ É claro que quero ser tua amiga. Vamo-nos divertir à grande.

E juntos viveram felizes para sempre.

Trata-se de uma pequena e encantadorazinha fábula, se ignorarmos o facto de que os personagens principais não são animais, mas sim corpos celestes, partículas de água no estado gasoso em suspensão na atmosfera e a própria da precipitação. Logo por aqui, a situação é estranhíssima. Isto porquê? Primeiro, porque as nuvens e o Sol se encontram a, aproximadamente, 149.599.996 quilómetros de distância, portanto, e considerando que eles teriam a capacidade de se comunicar, nem com os melhores altifalantes do Universo se conseguiriam falar. Segundo, porque uma relação entre o Sol e uma Nuvem seria altamente tóxica para a Nuvem: a temperatura no Sol é de 5499ºC. Ora, neste ponto, e em termos científicos, o vapor de água sofreria um processo denominado ionização, em que os eletrões se separam dos átomos, o que a faria comportar-se como um plasma (e não, não me estou a referir a televisões de alta-definição!). Desta forma, não seria sequer possível a existência de nuvens perto do Sol, o que tornaria difícil uma amizade entre eles!

Outra questão que me inquietou foi o facto de o suposto filho da Nuvem estar a chorar porque se assustou com a chuva, visto ter nascido na véspera daquele episódio. Quer isto dizer que a Nuvenzinha era, na realidade, um recém-nascido, mas que a sua mãe, Sra. Dona Nuvem, já estava a descansar com o Sol, longe do filho. Não sei se sabe, Sra. Dona Nuvem, mas está previsto, no artigo 138º do Código Penal Português, que o abandono de menor com menos de 12 anos é um crime punível com até 5 anos de cadeia! Mas suponho que isso não deve existir, aí na atmosfera. Dá-me impressão que o que prevalece é a “Lei da Selva”! Parece que não valeu de nada, ter-se andado a perder tempo, naquele 20 de Novembro de 1959!...

Por fim, quero demonstrar o meu apreço por uma das personagens da rábula: a Chuva. No meio daquilo tudo, foi a única que satisfez a curiosidade do Sol, tendo tido a decência de lhe responder. Eu sempre gostei de chuva! Para mim, dias de chuva são dias de esperança. São dias de calmaria, porque ninguém gosta de andar à chuva. São dias de reflexão, porque o som da chuva batendo na janela e o aroma a terra molhada acabam por ser terapêuticos. São dias em que a mãe Natureza nos faz ter consciência da nossa pequenez, quando inunda a baixa Lisboeta, por exemplo, e destrói tudo aquilo que nós perdemos tempo a construir. São dias em que eu me revejo, porque o clima incerto e tempestuoso funciona como um anestésico para o temporal que me vai dentro do peito. De uma forma bastante metafórica, mas ao mesmo tempo bastante literal, os dias de chuva servem para nos lavar a mente e a alma. E a eles estou eternamente grato! Já ao filho da mãe do vento, que nunca fez nada por ninguém, eu só desejo mal! Porque esse bandalho, para além de ser incómodo, ainda destrói os guarda-chuvas dos incautos cidadãos que, como eu, só desejam apreciar os seus dias de chuva! Mas isto é tema para outra crónica! Por ora, me despeço com amizade, e até para a semana!