30/06/2026

Obrigado, SAPO Blogs!

Há uns meses, a SAPO anunciou que iria encerrar de vez os seus Blogs no dia 30 de Junho de 2026. O dia chegou, e a verdade é que não estava bem preparado para ele.

Foi na SAPO que tudo começou, que construí o meu recanto na Websfera, que A Psique de Guilherme nasceu. Quase quatro anos depois, vejo-me obrigado a fazer as malas e a migrar daqui para fora, quase como um vagabundo sem destino.

Assentei arraiais no Blogspot (https://apsiquedeguilhermeblogssapopt.blogspot.com/), decorei o novo sítio da melhor forma que pude mas, assim como os habitantes da velhinha Aldeia da Luz, irei sempre sentir que o meu verdadeiro lar estará, para sempre, afogado num qualquer Alqueva digital...

A Psique continuará, claro que sim, mas este pequeno grande pedaço de si nunca será novamente preenchido, porque quando perdemos o nosso berço, deixamos de ser exactamente nós.

Se um dia me perguntarem de onde vim, direi que foi daqui, do sítio exacto que viu nascer Guilherme Gomes autor, guionista, escritor, realizador amador, o que seja!

Obrigado por tudo, SAPO Blogs! E até um dia destes...



17/06/2026

Mundialite

 Se Deus dá nozes a quem não tem dentes, em que ponto ficam as pessoas que usam dentadura?...

 

Ora viva! Eu sei que querem ir ver o jogo, mas prometo que isto não demora nada. Agradeço a vossa atenção!

Está aí a Copa do Mundo, época em que todos se vestem de vermelho e verde, bufam em vuvuzelas, e em que mesmo a malta como eu fica a saber, ainda que temporariamente, quem são o Vitinha e o Rúben Neves. O “Mundialite” que hoje vos trago serve quase como uma sequela espiritual da “Eurocólica”, de 15 de Julho de 2024 (porra, que já foi há dois anos!), em que expus três das minhas maiores dúvidas relativas ao desporto-rei e terminei com uma pseudo-cantiga de intervenção. Apesar de a minha opinião ser a mesma, em relação a estes assuntos, a crónica de hoje não terá tanto esse teor político, porque este ano o Mundial sabe diferente. Não sei quanto a vocês, mas eu estou com aquela coisa de que temos mesmo chance de vencer – e não, eu não sou chalupa como o Roberto Martínez, para cair na peta da Numerologia -, e dizem-me que está tudo a apontar nesse sentido: temos uma Selecção forte, temos mais garra do que nunca e, acima de tudo, temos de dar a merecida Copa ao Ronaldo naquele que deve ser, em princípio, o seu ante-ante-ante-ante-ante-antepenúltimo Mundial.

Sinceramente, e como um gajo que assumidamente não dá uma para a caixa em termos de Futebol, não consigo entender todo o criticismo em torno da figura de Cristiano Ronaldo. Eu sinto que, principalmente quando se fala da Selecção, ele é uma figura acima de incontornável, que transpira orgulho em usar as Quinas ao peito e que sente mais as vitórias e derrotas do que um país inteiro. Como se isso já não fosse mais do que suficiente, ainda se dá o caso de ele ser o maior cartão de visita que o nosso país teve para aí desde o Fernão de Magalhães e de, só na Selecção, deter o recorde de:

  • Maior número de golos marcados nas Eliminatórias do Campeonato do Mundo e do Europeu;
  • Maior número de golos em jogos competitivos por Portugal;
  • Mais internacionalizações;
  • Jogador mais rápido a alcançar 100 internacionalizações por Portugal;
  • Jogador mais jovem a atingir 100 internacionalizações;
  • Melhor marcador de Portugal de todos os tempos;
  • Melhor marcador de Portugal nos jogos do Campeonato Europeu;
  • Melhor assistente de Portugal nos jogos do Campeonato Europeu;
  • Único jogador a marcar por Portugal em 5 Campeonatos do Mundo diferentes;
  • Jogador com mais jogos por Portugal no Campeonato do Mundo;
  • Jogador com mais "hat-tricks" por Portugal;
  • Jogador com mais golos de livre por Portugal.

 

O único recorde que eu vi que ele não conseguiu bater foi o de “Maior número de golos no Campeonato do Mundo”, que ainda pertence ao Eusébio, com 9 marcados apenas no Mundial de 1966. Ora, a sensação que me dá é que isto não pode ser tudo por acaso. Não é qualquer um que acorda um dia e decide “Olha, vou bater TODOS OS RECORDES QUE HÁ PARA BATER NO MUNDO INTEIRO”. Simplesmente, não é algo que se possa decidir fazer, já tem de ser uma coisa que nasce connosco, e o Ronaldo pegou neste talento, multiplicou-o por um milhão, e tornou-se o melhor do Mundo! Por tudo isto é que me mete confusão olhar para os adeptos Lusitanos e perceber a quantidade de ódio que se destila contra o nosso Roni, e que só faz de nós mais pequenos do que aquilo que já somos…

Mudando um pouco de temática, eu dei-me conta de que, neste Mundial, não se tem ouvido falar dos tradicionais animais videntes, o que é uma falha imperdoável. Por essa razão, a equipa d’A Psique (que sou basicamente eu) foi à caça e descobriu um manatim capaz de adivinhar o futuro. Não quisemos maçar muito o animal, pelo que só lhe perguntamos quem vai vencer o Mundial. Infelizmente, o vídeo que gravamos, e que estava muito giro, estava no cartão de memória de uma câmara que explodiu, mas nós contratamos uma equipa de artistas (novamente, eu) que trabalhou na seguinte reprodução – extremamente fiel – da interação com Marco, o Mago Manatim.

 

- Vídeo do Marco, o Mago Manatim, a escolher a Selecção Portuguesa como vencedora –

 

Já sabemos quem é o vencedor, mas falta perceber exactamente o nosso percurso até à Final. Por essa razão, e como eu sou fortíssimo nisso (viu-se nos Óscares), fiz as minhas apostas, que passo a apresentar:

 

Fase de grupos:

  • Portugal 2 – 0 República Democrática do Congo
  • Portugal 3 – 1 Uzbequistão
  • Portugal 1 – 1 Colômbia

1/16 de Final: Portugal 2 – 0 Panamá

1/8 de Final: Portugal 1(5) – 1(4) Suíça

1/4 de Final: Portugal 3 – 2 Argentina (Golo de Nuno Mendes aos 88 minutos)

½ de Final: Portugal 2 – 0 Inglaterra

Final: Portugal 1 – 0 França (Golo marcado aos 110 minutos: por Portugal, repete o ritual)

 

Ficam feitas as apostas, e assim chegamos ao final desta crónica. Vêem como foi num instante? Vá, agora vão lá preparar o sofá e ligar a SIC ou a LiveMode TV, que o jogo de hoje promete. Mas antes de irem, só uma coisinha: anuncio aqui que as primeiras 14 pessoas a assinarem o meu Patreon serão presenteadas com uma cópia autografada de um dos desenhos do segmento do Marco, o Mago Manatim. Agora, é pegar ou largar, que um dia os autógrafos deste menino vão valer para cima de 10€, ouviste?! Vá, até à próxima!



14/06/2026

Retalhos da Vida de um Formidável Rapaz #3: "O Roubo do Quadro"

 Olá! Tudo com bem com vocês? Espero que sim! Sejam muitíssimo bem-vindos ao terceiro episódio da tão adorada rubrica “Retalhos da Vida de um Formidável Rapaz”! Desta vez, o vídeo que vos trago destina-se a provar que a minha veia de cineasta já pulsava fortes jorradas de sangue criativo muito antes d’A História Verdadeira de Natal ou do Quando A Estrela Brilha... Não se trata de um programa de televisão, mas é igualmente uma superprodução do Canal Gui, extinto precursor d’A Psique, intitulada “O Roubo do Quadro”:

 

Excerto 1

Lá está o puto, com a mania que é comediante. Apesar deste anúncio, rapidamente se perceberá que isto nem é uma comédia, nem tem acção absolutamente nenhuma. Isto está mais para um thriller policial realizado não pelo Manoel de Oliveira, mas para aí pela empregada-de-limpeza do Manoel de Oliveira. Mas não vamos já assumir que isto não presta só pela abertura do filme. Pode ser que nos surpreendamos…

 

Excerto 2

A escolha do sotaque Francês foi arrojada, até porque do Francês só pareceu mesmo ficar com o R, mas ao menos já ficou estabelecida a primeira personagem – o Pintor – e a acção – que, neste caso, é a pintura com as mãos. Porque é que este pormenor é importante? Não faço a mínima! Mas um bom argumentista sabe que não pode deixar estas ideias no ar.

 

Excerto 3

Pronto, agora já sabemos que o facto de estar a ser pintado com as mãos o torna mais valioso. Este é um pedaço de informação muitíssimo importante, uma vez que estabelece a razão para o tal roubo que vai acontecer. Isto está tudo pensado!

 

Excerto 4

E fica explicada a escolha deste sotaque ridículo, porque se ele não tivesse um sotaque, não ia escrever a assinatura, desvalorizando assim o quadro. Nem o Kubrick pensava nestes pormenorzinhos todos, pá!

 

Excerto 5

É pá, deixa o homem assinar o quadro primeiro! Ai, ai… Se calhar não é assim tão genial.

 

Excerto 6

OK, vamos pensar nisto todos juntos: se calhar isto passa-se num Universo alternativo em que não existem impressões digitais, porque eu estou em crer que nenhum cineasta que se preze era capaz de cometer a estupidez de pôr um ladrão a roubar um quadro sem luvas. Às tantas isto é mais profundo do que nós pensamos…

 

Excerto 7

Pronto, se calhar vamos parar por aqui. A verdade é que este filme tem um grande problema – provavelmente o único defeito que lhe consigo apontar -, que é a questão do ritmo e do andamento. Esta cena em que se apresenta o Polícia, por exemplo, consiste em 17 segundos de câmara fixa do homem a comer um pão e a “beber” de uma caneca. Efectivamente, é uma situação que está muito presente, mas é destas pequenas falhas e da aprendizagem que delas advém que se fazem os grandes profissionais!

 

Excerto 8

O personagem do Polícia, como pudemos ver, é muito forte no humor físico, sendo dono de uma boa pança e tendo reacções propositadamente exageradas. Um exemplo disso é, justamente, o susto que ele apanha quando ouve o toque do telefone de serviço – algo que, simultaneamente, surge como uma crítica à inatividade e à inaptidão dos profissionais de segurança.

Esta cena também tem um elemento muito importante, no que toca ao desenvolvimento do enredo, porque é o momento em que se dá conta de que houve um roubo de um quadro “daquele pintor famoso, sabes?”. O homicídio com dolo do Spiderman? É pá, é uma pena, mas o que é que a gente há-de fazer? Agora, UM ASSALTO?! Vamos imediatamente atrás desses marginais!

 

Excerto 9

É normalíssimo existirem este tipo de problemas de comunicação, até porque pintores famosos há muitos. Agora, a reacção do polícia, quando se apercebeu de que era o Homem-Aranha, demonstrou mesmo a sua vontade de vingar o artista e punir os criminosos. De certeza que é aqui que vai começar a acção da boa!

 

Excerto 10

Ou então não… Talvez tenha deitado foguetes cedo demais, admito isso… Mas o filme não há-de ser só isto, pois não?

 

Excerto 11

OK, temos algo a acontecer! Pode ser que o Polícia se tenha levantado para ir buscar o material de guerra e partir para a missão, sabemos lá nós! Será que é isso?...

 

Excerto 12

Deu-nos esperanças à saída, trouxe-nos de volta lamentações e um crachá… e ainda não é agora que vai começar a acção…

O minuto e vinte que se seguiu a isto consistiu em ver o Polícia a comer, a queixar-se do seu peso e a mostrar o crachá. Como é óbvio, não vos vou obrigar a ver isso – mas, se quiserem muito, o vídeo completo vai estar no Patreon -, por isso saltemos para o fim… do que quer que isto seja.

 

Excerto 13

E aí está: seguindo a velha tradição de Charlie Chaplin, Jerry Lewis e Bucha e Estica – e recorrendo a um humor que muitos descreveriam como datado -, este formidável actor mostra o seu domínio do chamado slapstick, simulando uma queda e arrancando o riso de milhares.

 

Excerto 14

Neste ponto da situação, eu já nem sei bem o que dizer. Espero que este formidável momento que ocupa quase metade do tempo do filme esteja para acabar, e que a investigação comece. Por favor!

 

Excerto 15

Finalmente tenho a certeza de que isto é propositado. Só pode! Isto é mesmo uma crítica precoce aos atrasos na prestação de serviços como a segurança, sim, mas também a saúde, a educação, tudo! O jovem Guilherme é um génio, um visionário! Mas santa paciência, vamos saltar para a investigação!

 

Excerto 16

Assim é que é: uma investigação rápida e eficiente! E não, não é irrealista, porque o atelier daquele gajo devia ter mais impressões do ladrão do que tinta. Foi uma muleta narrativa, mas o certo é que funcionou!

No momento que se segue, podemos ver um claro caso de obstrução à Justiça e ao trabalho dos investigadores, na figura de uma voz familiar.

 

Excerto 17

“Oh, isto ficou tudo mal!”… (olhar de nojo)

 

Excerto 18

Talvez tenha sido inteligente delegar a investigação ao Agente Gui. Tomara que ele seja mais competente do que este Capitão.

 

Excerto 19

Pronto, aqui coloca-se um problema, porque eu não posso simplesmente passar um excerto de quase 3 minutos com o tema da Pantera Cor-de-Rosa, por causa dos direitos de autor, mas o que se pode retirar desta investigação – que eu vou mostrar com a velocidade aumentada em 10 vezes - é, vamos lá ver… NADA.

 

Excerto 20

Finalmente chegamos ao terceiro acto, que é o momento em que se percebe que nem todas as histórias são contos-de-fadas e, às vezes, as coisas não correm como era esperado.

 

Excerto 21

Este pranto do Agente Gui chega a ser comovente, porque é visível a emoção com que ele declara que se sente horrível por não ter conseguido solucionar este caso. Mas não te preocupes, Gui. Tu não és a única coisa horrível aqui no meio…

 

Excerto 22

Como se já não bastasse o seu sentimento de impotência e derrota, o Agente Gui ainda é maltratado e punido por não ter conseguido encontrar o quadro. Um final emocionante para uma história fantástica!

Mas o narrador fala-nos uma última vez antes do fim do filme; vejamos o que tem para nos dizer.

 

Excerto 23

Vamos recapitular: este quadro valiosíssimo é roubado; a Polícia recebe essa informação; a investigação fica a cargo do Agente Gui; ele falha, vai-se abaixo por causa disso e ainda recebe uma punição; no final, o quadro é encontrado de forma milagrosa… E É SUBSTITUÍDO POR ESTE!

É pá, desta vez fiquei lixado com isto! Espero que tenham gostado, o vídeo completo vai estar no Patreon e até à próxima!