Muito boa tarde a todos! O que se segue não é, de maneira nenhuma, uma cópia descarada da rubrica que o humorista Gilmário Vemba tem na Rádio Comercial. É, apenas e somente, a análise de uma música, algo que qualquer um pode fazer. Dito isto, passemos à ordem de trabalhos.
Há dias dei por mim a ouvir a popular cantiga "Anel de Noivado", dos Trio Odemira. Esta é, do ponto de vista estético, uma música magnífica, que em nenhum momento nos desilude. Tudo nela encaixa e parece fazer sentido, apesar de se começar com um coro celestial a interpretar a "Marcha Nupcial" e se acabar com a explosão num majestoso "Fa-ra-ram, fa-ra-ram, fa-ra-ram, fa-ra-ram".
No entanto, no meio disto tudo, o que me chamou mais a atenção foi a letra, que narra a história (e preparem-se para o que aí vem) de um pelintra sado-masoquista! Tam-tam-taaaammmm! Ah, pois! Com esta não contavam, pois não? Passo a explicar:
- "A igreja estava toda iluminada/Muita gente convidada/Eu também fui para ver" - Ou seja, o senhor foi um verdadeiro fura ao entrar num casamento para o qual não havia sido convidado. Muita gente convidada, mas ele não.
- "Ninguém sabe a tristeza que sentia/Porque mesmo a esse dia/Casava a mulher amada" - Masoquismo puro. Ele vai ao casamento da sua amada voluntariamente, mesmo sabendo que ficará deprimido por a ver casar.
- "E ela chegou acompanhada do padrinho/Que a levava ao seu destino/O que eu nunca imaginei" - Este é o momento em que principia a tristeza do nosso protagonista: a entrada da sua amada na igreja iluminada. Algo que ele nunca imaginara ver a acontecer. E que não precisava de estar a ver a acontecer, porque foi o próprio que decidiu aparecer no casamento! Ninguém o queria lá, caramba!
- "À saída da igreja iluminada/Ela estava já casada/A mulher que eu adorei/Entre vivas de parentes e de amigos/Acerquei-me a desejar-lhe/'Que sejas sempre feliz'" - A primeira impressão que nos dá é que ele terá com ele generosas doses de fair play, porque tem a amabilidade de se achegar à mulher que ama e desejar-lhe um casamento feliz, mas as intenções dele são outras, e os versos que se seguem mostram-nos quais.
- "E aconteceu que ela nem sequer pensara/Encontrar-me cara a cara/E não soube o que dizer/E foi chorando, sem notar que no seu pranto/Seu vestido vai molhando/Ao chorar de amor por mim" - Pois! O sadismo é tanto que, sabendo que a mulher ainda nutria por ele sentimentos, se chega ao pé dela no dia em que a separação dos dois é afirmada para lhe desejar felicidades, o que a faz irromper num choro e numa depressão tal, que até o vestido fica molhado!
Portanto, já não bastava ter ido a um casamento sem ser convidado, ter posto a sua ex-amada a chorar no suposto "dia mais feliz da sua vida" e feito com que ela desperdiçasse umas boas centenas de euros, porque toda a gente sabe que lágrimas de desolação destroem um vestido de noiva para sempre (e o dela ficou encharcado, ao que parece), como ainda pega nessa história e faz uma música que foi um sucesso e lhe rendeu um dinheirão! Meus amigos, se isto não é pura maldade, então não sei o que é. Pena que os irmãos Júlio e Carlos Costa já não estejam entre nós, porque eles mereciam bem ir a tribunal responder por crimes acerca de uma data de coisas, e não sei quê e não sei que mais. Acho que a noiva, mesmo que ainda intimamente apaixonada por ele, fez muito bem em deixá-lo para trás e casar com outro, porque se tivesse permanecido com este louco, um dia destes ainda acabava a fazer a capa do Correio da Manhã...
Até uma próxima!

sinto-me: O que quer que isto seja...
ResponderEliminarmúsica: Trio Odemira - Anel De Noivado