13/05/2026

Em Fátima, Rezei Por Ti...

 Olá, e sejam muito bem-vindos ao tão esperado regresso d’A Psique, numa edição especialíssima dedicada ao maior caso de sucesso do empreendedorismo Português, ao esquema mais bem montado da história recente da Igreja Católica ou, como Jesus gosta de lhe chamar, o Dia da Mãe…

A Nossa Senhora de Fátima era uma especialista em Marketing! Ter escolhido aparecer exactamente entre os meses de Maio e de Outubro, apanhando a época alta do Turismo e a única altura do ano em que se consegue estar minimamente confortável na Cova da Iria, foi uma jogada de mestre, uma vez que potenciou e muito o aumento do fluxo de peregrinos e excursionistas na zona, fazendo disparar a economia Oureense! Muito bem, Sra. Dona Fátima!

Por acaso, sempre tive um fascínio pela estória das Aparições, em particular pelo pormenor dos Segredos de Fátima. Recapitulando, conta-se que, nos idos de 1917, aparece uma Senhora no cimo de uma árvore, toda vestida de branco e envolta em luz, a três incautos pastorinhos que por ali andavam. Há lá umas interações entre eles e, ao longo dos 5 meses seguintes, ela revela-lhes 3 segredos. Infelizmente, dois dos pastorinhos, os irmãos Francisco e Jacinta, acabam por sucumbir, ainda menores, às mãos da Gripe Espanhola. Resta apenas a sua prima mais velha, Lúcia, que acaba por ser a única a ter o privilégio de evoluir para Irmã Lúcia. Anos mais tarde, e depois de descobrir que tem uma visão pior do que a do meu amigo Carlos Pereira (provavelmente, por causa da quantidade de tempo em que esteve a olhar para o Sol, naquele fatídico 13 de Outubro), começa a destapar o véu (no sentido figurado, que ela andava sempre bem tapadinha) e a deixar sair algumas informações acerca dos tão afamados segredos. Ora, é aqui que eu levanto um problema, por duas razões: primeiro, porque a Lúcia era a única testemunha viva das Aparições, pelo que poderia ter inventado o que lhe apetecesse e não havia ninguém que a pudesse contradizer com propriedade; e segundo, porque ela revelou as previsões de que a I Guerra Mundial ia acabar, de que ia haver uma II Guerra, e de que um Papa ia ser atacado DEPOIS de isso ter acontecido, o que faz dela não uma profeta, mas uma “pós-feta”! Eu imagino que tenha sido mais ou menos assim:

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(Irmã Lúcia está a sair de um carro)

Repórter – Irmã Lúcia, Irmã Lúcia! Será que nos poderia dizer quais foram os segredos que a Senhora de Fátima lhe contou?

Lúcia – Não, não pode ser! Como deve compreender, são segredos, não é? E os segredos não é para se contarem…

Repórter – Nem um?

Lúcia – Vá, pode ser um! O primeiro que ela disse foi sobre o Inferno, que existe Inferno.

Repórter – Então, mas isso já se sabia!

Lúcia – Não, julgava-se que existia, falava-se no assunto. Agora, certezas não havia, que nunca ninguém lá tinha ido! Ela veio foi dar a confirmação!

Repórter – Não nos pode mesmo dizer mais nenhum?

Lúcia – Não, mais não posso dizer!

(Ouve-se um homem a gritar ao fundo. A câmara vira-se para ele)

Homem – Olha! Então não é que a Alemanha invadiu a Polónia, dando assim início à II Guerra Mundial?

(A câmara volta a mostrar a Irmã Lúcia e o Repórter, que se vira para a frente para dar a notícia)

Repórter – Furo jornalístico: começou a II Guerra Mundial!

(A Irmã Lúcia toca no ombro do repórter)

Lúcia – Olhe, pronto… o segundo segredo era sobre isto, da II Guerra. Ela tinha dito que ia haver isto…

Repórter – E porque é que não avisou ninguém mais cedo?

Lúcia – Então, porque quer dizer… é segredo, não é? Os segredos não é para se dizerem…

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Assim também eu adivinho coisas, ó Lúcia! Porque eu também tenho uma ideia muito particular acerca dos profetas: eu acho que se alguma coisa que eles disseram, por um acaso do destino, acabar por se concretizar, as pessoas vão pensar “Olha que curioso, aconteceu mesmo aquilo que fulano tal tinha dito!”; se não se concretizar, também ninguém se vai lembrar disso! Olhem o Nostradamus: estima-se que mais de 95% das “previsões” que ele fez falharam, e ainda assim todos os anos há artigos do género “Veja o que Nostradamus previu para o ano de 2026. A número 5 vai deixar você aterrorizado!”. Ou isto, ou então acontece como os Simpsons, porque é óbvio que, depois de mais de 800 episódios a inventar situações, somos capazes de acertar uma coisinha ou outra!

Para terminar, gostava de falar dos caminhantes de Fátima. Por acaso, foi uma coisa que eu nunca entendi, esta das Peregrinações. Então quer dizer: vão milhares de pessoas a pé, durante dias e dias, para se penitenciarem em agradecimento ou punição… e vão em grupo, a cantar músicas, a comer bem, e a dormir confortavelmente em pousadas e hósteis? É pá, para penitências destas podem contar comigo! Se eu tenho sabido que era assim tão giro e que não tinha de me fustigar como aquele albino do Código Da Vinci, se calhar tinha-me mantido Católico, pá! Bom, agora é tarde demais…

Mas estes peregrinos não vêm de Fátima de mãos a abanar! Nada disso! Estes peregrinos trazem sempre souvenirs, que é algo fortíssimo lá em Fátima! Desde terços, a ímanes, a garrafinhas de água benta, àquelas câmaras-de-filmar de plástico em que se rodava a lente e dava para ver lá dentro um slideshow de fotos do Santuário, Fátima é perita no negócio do souvenir. Algo que eu sempre tive o sonho de receber, mas nunca recebi, foi uma daquelas T-shirts giras que dizem “A minha tia foi a Fátima e a única coisa que me trouxe foi esta T-shirt”. Em contrapartida, tenho toda uma coleção daquelas canetas que só escrevem nos primeiros 35 segundos de utilização, e que depois servem como decoração e como um lembrete de que alguém foi a Fátima e rezou por nós… Um beijinho, Tia Rosa!

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Cena Pós-Créditos:

(Vem um senhor, de colete-reflector e cajado na mão, a descer uma rua)

Repórter – Boa tarde!

Senhor – Boa tarde, menina!

Repórter – Vejo que está mesmo agora a chegar ao Santuário. O que me tem a dizer acerca desta experiência? É a primeira vez que vem em peregrinação até Fátima?

Senhor – A primeira? Não, longe disso! Eu, na verdade, venho cá a Fátima múltiplas vezes por ano!

Repórter – A sério! Louvo o seu nível de dedicação! Mas diga-me, de onde é que o senhor é?

Senhor – Eu? Sou daqui da Cova da Iria.

Repórter – Ah!... Então deve viver relativamente perto do Santuário…

Senhor – Sim, são sensivelmente 300, 350 metros.

Repórter – Mas vem cá por alguma razão especial?

Senhor – Sim, venho. Venho em sinal de agradecimento a Nossa Senhora, que tanto me tem dado ao longo da minha vida! E veja que eu trabalho mesmo na Cova, e venho cá de propósito para agradecer a Nossa Senhora de Fátima, tal é o grau da minha adoração!

Repórter – Pronto… Faça uma boa viagem!

Senhor – Obrigado, menina!

(O senhor vai-se afastando da repórter, mas a câmara segue-o à medida que ele vai entoando a música “A 13 de Maio na Cova da Iria”)



2 comentários:

  1. sinto-me: AH-CHOO! Santinho...
    música: Schola Cantorum Pasthorinhos De Fátima - Avé De Fátima

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  2. Josée (14.05.2026): Mt bom. Espero continuar a ver o vosso trabalho no blix.pt

    Guilherme (19.05.2026): O meu obrigado, folgo em saber que gostou. Eu, na verdade, antecipei-me ao anúncio do blix.pt e, com medo de perder tudo, migrei para o Blogger. O link é este: https://apsiquedeguilhermeblogssapopt.blogspot.com/

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