14/06/2026

Retalhos da Vida de um Formidável Rapaz #3: "O Roubo do Quadro"

 Olá! Tudo com bem com vocês? Espero que sim! Sejam muitíssimo bem-vindos ao terceiro episódio da tão adorada rubrica “Retalhos da Vida de um Formidável Rapaz”! Desta vez, o vídeo que vos trago destina-se a provar que a minha veia de cineasta já pulsava fortes jorradas de sangue criativo muito antes d’A História Verdadeira de Natal ou do Quando A Estrela Brilha... Não se trata de um programa de televisão, mas é igualmente uma superprodução do Canal Gui, extinto precursor d’A Psique, intitulada “O Roubo do Quadro”:

 

Excerto 1

Lá está o puto, com a mania que é comediante. Apesar deste anúncio, rapidamente se perceberá que isto nem é uma comédia, nem tem acção absolutamente nenhuma. Isto está mais para um thriller policial realizado não pelo Manoel de Oliveira, mas para aí pela empregada-de-limpeza do Manoel de Oliveira. Mas não vamos já assumir que isto não presta só pela abertura do filme. Pode ser que nos surpreendamos…

 

Excerto 2

A escolha do sotaque Francês foi arrojada, até porque do Francês só pareceu mesmo ficar com o R, mas ao menos já ficou estabelecida a primeira personagem – o Pintor – e a acção – que, neste caso, é a pintura com as mãos. Porque é que este pormenor é importante? Não faço a mínima! Mas um bom argumentista sabe que não pode deixar estas ideias no ar.

 

Excerto 3

Pronto, agora já sabemos que o facto de estar a ser pintado com as mãos o torna mais valioso. Este é um pedaço de informação muitíssimo importante, uma vez que estabelece a razão para o tal roubo que vai acontecer. Isto está tudo pensado!

 

Excerto 4

E fica explicada a escolha deste sotaque ridículo, porque se ele não tivesse um sotaque, não ia escrever a assinatura, desvalorizando assim o quadro. Nem o Kubrick pensava nestes pormenorzinhos todos, pá!

 

Excerto 5

É pá, deixa o homem assinar o quadro primeiro! Ai, ai… Se calhar não é assim tão genial.

 

Excerto 6

OK, vamos pensar nisto todos juntos: se calhar isto passa-se num Universo alternativo em que não existem impressões digitais, porque eu estou em crer que nenhum cineasta que se preze era capaz de cometer a estupidez de pôr um ladrão a roubar um quadro sem luvas. Às tantas isto é mais profundo do que nós pensamos…

 

Excerto 7

Pronto, se calhar vamos parar por aqui. A verdade é que este filme tem um grande problema – provavelmente o único defeito que lhe consigo apontar -, que é a questão do ritmo e do andamento. Esta cena em que se apresenta o Polícia, por exemplo, consiste em 17 segundos de câmara fixa do homem a comer um pão e a “beber” de uma caneca. Efectivamente, é uma situação que está muito presente, mas é destas pequenas falhas e da aprendizagem que delas advém que se fazem os grandes profissionais!

 

Excerto 8

O personagem do Polícia, como pudemos ver, é muito forte no humor físico, sendo dono de uma boa pança e tendo reacções propositadamente exageradas. Um exemplo disso é, justamente, o susto que ele apanha quando ouve o toque do telefone de serviço – algo que, simultaneamente, surge como uma crítica à inatividade e à inaptidão dos profissionais de segurança.

Esta cena também tem um elemento muito importante, no que toca ao desenvolvimento do enredo, porque é o momento em que se dá conta de que houve um roubo de um quadro “daquele pintor famoso, sabes?”. O homicídio com dolo do Spiderman? É pá, é uma pena, mas o que é que a gente há-de fazer? Agora, UM ASSALTO?! Vamos imediatamente atrás desses marginais!

 

Excerto 9

É normalíssimo existirem este tipo de problemas de comunicação, até porque pintores famosos há muitos. Agora, a reacção do polícia, quando se apercebeu de que era o Homem-Aranha, demonstrou mesmo a sua vontade de vingar o artista e punir os criminosos. De certeza que é aqui que vai começar a acção da boa!

 

Excerto 10

Ou então não… Talvez tenha deitado foguetes cedo demais, admito isso… Mas o filme não há-de ser só isto, pois não?

 

Excerto 11

OK, temos algo a acontecer! Pode ser que o Polícia se tenha levantado para ir buscar o material de guerra e partir para a missão, sabemos lá nós! Será que é isso?...

 

Excerto 12

Deu-nos esperanças à saída, trouxe-nos de volta lamentações e um crachá… e ainda não é agora que vai começar a acção…

O minuto e vinte que se seguiu a isto consistiu em ver o Polícia a comer, a queixar-se do seu peso e a mostrar o crachá. Como é óbvio, não vos vou obrigar a ver isso – mas, se quiserem muito, o vídeo completo vai estar no Patreon -, por isso saltemos para o fim… do que quer que isto seja.

 

Excerto 13

E aí está: seguindo a velha tradição de Charlie Chaplin, Jerry Lewis e Bucha e Estica – e recorrendo a um humor que muitos descreveriam como datado -, este formidável actor mostra o seu domínio do chamado slapstick, simulando uma queda e arrancando o riso de milhares.

 

Excerto 14

Neste ponto da situação, eu já nem sei bem o que dizer. Espero que este formidável momento que ocupa quase metade do tempo do filme esteja para acabar, e que a investigação comece. Por favor!

 

Excerto 15

Finalmente tenho a certeza de que isto é propositado. Só pode! Isto é mesmo uma crítica precoce aos atrasos na prestação de serviços como a segurança, sim, mas também a saúde, a educação, tudo! O jovem Guilherme é um génio, um visionário! Mas santa paciência, vamos saltar para a investigação!

 

Excerto 16

Assim é que é: uma investigação rápida e eficiente! E não, não é irrealista, porque o atelier daquele gajo devia ter mais impressões do ladrão do que tinta. Foi uma muleta narrativa, mas o certo é que funcionou!

No momento que se segue, podemos ver um claro caso de obstrução à Justiça e ao trabalho dos investigadores, na figura de uma voz familiar.

 

Excerto 17

“Oh, isto ficou tudo mal!”… (olhar de nojo)

 

Excerto 18

Talvez tenha sido inteligente delegar a investigação ao Agente Gui. Tomara que ele seja mais competente do que este Capitão.

 

Excerto 19

Pronto, aqui coloca-se um problema, porque eu não posso simplesmente passar um excerto de quase 3 minutos com o tema da Pantera Cor-de-Rosa, por causa dos direitos de autor, mas o que se pode retirar desta investigação – que eu vou mostrar com a velocidade aumentada em 10 vezes - é, vamos lá ver… NADA.

 

Excerto 20

Finalmente chegamos ao terceiro acto, que é o momento em que se percebe que nem todas as histórias são contos-de-fadas e, às vezes, as coisas não correm como era esperado.

 

Excerto 21

Este pranto do Agente Gui chega a ser comovente, porque é visível a emoção com que ele declara que se sente horrível por não ter conseguido solucionar este caso. Mas não te preocupes, Gui. Tu não és a única coisa horrível aqui no meio…

 

Excerto 22

Como se já não bastasse o seu sentimento de impotência e derrota, o Agente Gui ainda é maltratado e punido por não ter conseguido encontrar o quadro. Um final emocionante para uma história fantástica!

Mas o narrador fala-nos uma última vez antes do fim do filme; vejamos o que tem para nos dizer.

 

Excerto 23

Vamos recapitular: este quadro valiosíssimo é roubado; a Polícia recebe essa informação; a investigação fica a cargo do Agente Gui; ele falha, vai-se abaixo por causa disso e ainda recebe uma punição; no final, o quadro é encontrado de forma milagrosa… E É SUBSTITUÍDO POR ESTE!

É pá, desta vez fiquei lixado com isto! Espero que tenham gostado, o vídeo completo vai estar no Patreon e até à próxima!




2 comentários:

  1. sinto-me: Fora-da-Lei!
    música: Sónia Araújo - O Polícia

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  2. Armenio Coelho (18.06.2026): Espero continuar a seguir o seu trabalho no blix.pt

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