26/09/2026

Estabeleçam-se prioridades!

 Acho que poucas vezes senti a morte de alguém como senti agora a do Jorge Palma. É tão estranha quanto indescritível, esta sensação de que perdi um amigo próximo que não me conheceu, um génio absoluto, uma fonte de inspiração e um herói! Sinto-me feliz por ter tido oportunidade de ver a sua magia ao vivo.

Até um dia, camarada! Não vai ser fácil, mas prometo que a gente vai continuar...

 

Olá! Cá estamos nós outra vez. A questão que hoje trago a debate surgiu, esta última semana, durante um momento de amena cavaqueira no Bar da Faculdade – por acaso, até fui eu que a levantei, daí ser tão estupendamente pertinente. A que concerne ela? Concerne ao sistema de prioridades que existe em filas de espera várias, desde os supermercados às Finanças, e que, segundo a legislação Portuguesa, considera prioritárias:

  1. Pessoas portadores de deficiência ou incapacidade superior a 60%;
  2. Pessoas idosas;
  3. Mulheres grávidas;
  4. Pessoas com crianças de colo.

Até aqui está tudo bem! A questão que me surgiu vem a seguir: dentro destas quatro categorias, quem tem prioridade sobre quem? O Decreto-Lei n.º 58/2016 de 29 de Agosto é bastante claro quanto a esta situação, esclarecendo-se no Artigo 4.º que “Em caso de conflito de direitos de atendimento preferencial ou prioritário, o atendimento faz-se por ordem de chegada de cada titular do direito de atendimento preferencial ou prioritário.”. Ora, isto parece-me errado! Eu sei que, provavelmente, não se estabelece um sistema de prioridades mais específico para evitar a discriminação de certos grupos em relação a outros, mas o certo é que há maleitas e maleitas, pelo que hoje me proponho, neste fórum – porque isto é um fórum -, a criar a “I Lista Completa e Definitiva de Prioridades em Filas de Espera”.

Em último lugar, na minha opinião, ficariam os velhos. Por mais respeito que eu possa ter pela 3ª Idade (como acho que deixei claro no segundo episódio da “Coluna Vertebral”), não acho que isso deva justificar tudo. Sei que, com o avançar da idade, as pessoas ficam mais frágeis, passam a ter mais dificuldade em andar, mais dores, menos paciência… está tudo muito bem! Agora, tu és só velho; não estás a gestar um puto dentro de ti nem tens de ouvir os berros do teu mai’ novo! Se tens assim tantos problemas em ficar à espera na fila, faz por subir na carreira: arranja umas canadianas ou uma cadeira-de-rodas e passa a deficiente, a ver se ficas a meter nojo às grávidas! E por falar em grávidas…

… em penúltimo lugar, aqui estão elas. Eu sei que eu sou homem e que nunca vou ter a sensibilidade necessária para entender aquilo por que as grávidas passam, eu sei disso tudo (e sei também que vocês partem logo numa situação de vantagem, porque podem gozar das quatro condições de prioridade, e eu só posso gozar de três! Não me venham com a conversa das igualdades de género, que eu esta já a tenho estudada!). De igual forma, tenho a consciência de que vocês, em estando mesmo mal, com contracções e coisas assim, não têm necessidade nenhuma de se deslocar para ir às compras! Para além de terem o pai da criança para enviar ao Pingo Doce, também têm a possibilidade de, neste admirável Mundo novo, mandar vir as compras pela Internet! É verdade, a Net não é só para ver dicas para o Chá do Bebé, também dá para comprar coisas. Vocês a mim não me enganam, grávidas!

Em segundo lugar, têm de ficar, naturalmente, as pessoas com crianças de colo. Primeiro, não sei porque é que as levam para o supermercado! A canalha é das coisas mais profundamente aborrecidas que já foi “botada” à Terra! A criança é tão boa companhia para ir às compras como um Pit Bull para ir a um jardim-de-infância: não pára quieto, está sempre a fazer barulho, e se não matar ninguém é uma sorte! “Ah, mas e se não tiver ninguém para deixar o puto?” Fácil: uma cave trancada, um copo de água e uma malga de Nestum. Depois digam-me se não funcionou! Na eventualidade de estarem mesmo numa fila com uma criança, acho que devemos ter compaixão pela vossa condição e, tanto pelo vosso bem como, principalmente, pelo nosso, deixar-vos ir mesmo lá para a frente.

Para o fim, ficam os deficientes. Verdade seja dita, sem hipocrisia: a gente, com os malucos, quer-se é ver livre deles! Não vale a pena vir com a conversa da inclusão nem coisas do género; quando temos o António, o João, a Marlene, a Cátia, o Fernando e a Rita à nossa frente, e é apenas um gajo, a vontade é despachá-lo dali o mais rápido possível, que o João até é porreiro, mas o Fernando é forcado e bate na mulher! Claro que nem todos são psicopatas esquizofrénicos, mas mesmo para as restantes pessoas com distúrbios psicológicos – para quem, muitas vezes, estar nestes contextos de maior agitação é doloroso – e com incapacidade, ser atendido com maior celeridade é algo benéfico. E, por favor, tirem-me este atrasadinho daqui! Sim, este tofu é 100% biológico e não, nenhum animal foi maltratado durante a sua produção!

 

Vegans: Deixou de ser fixe fazer piadas com eles em 2018!

 

O grande problema que se apresenta a partir daqui é a acumulação de maleitas. A resolução mais fácil seria, na minha opinião, ver qual é a condição que mais prevalece na pessoa – “Você considera-se mais velho ou mais maneta?”. Em contrapartida, há sempre a hipótese de se fazer uma avaliação caso a caso, mais subjectiva, sendo para isso imperativo estabelecer um exemplo-base a partir do qual se faria essa gestão de requisitos – e que, para mim, representaria a pessoa com mais prioridade de entre as pessoas com prioridade – que é a “Velha manca e autista, grávida de risco e com um bebé ao colo”. Até à próxima!



1 comentário:

  1. sinto-me: Mais cauteloso que os legisladores
    música: Jorge Palma - Olá (Cá Estamos Nós Outra Vez)

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