(O filme começa com a Marisa a ir ao frigorífico a meio da noite. Quando fecha a porta, está lá o assassino mascarado, um homem alto e forte, que lhe corta, imediatamente, a goela. Tela preta, título do filme.
Logo de seguida, passa-se para uma
transmissão do telejornal, com o pivô a anunciar um assassinato.)
Pivô – Esta manhã,
uma mulher de 45 anos foi encontrada morta, na própria casa, na sequência
daquilo que parece ter sido um homicídio planeado. A polícia ainda não tem
nenhum suspeito, mas rejeita, para já, a possibilidade de termos em mãos um
assassino em série.
(Ainda sendo possível ouvir o ruído
do telejornal, a cena corta para um grupo de amigos, sentado no sofá a assistir
a este anúncio.)
Alice – Já viram
isto? Degolada na própria casa sem motivo aparente, e o assassino ainda anda aí
à solta! Ui, que emoção! Parece que estamos num filme de terror!
Ema – Eu não
gosto muito destas coisas! Ainda por cima é aqui na nossa zona, fico sempre com
um bocado de medo!
Carolina – Pessoal, ideia
excelente! Que me dizem de fazermos, já amanhã, um festa do pijama com direito
a maratona de filmes de terror, em homenagem ao assassino misterioso?
Guilherme – É isso
mesmo! Vera, e tem de ser em tua casa, que tu é que tens a televisão grande!
Alice – Oh, amanhã
não dá, que os meus pais estão fora e tenho de ficar a tomar conta da minha
irmã…
Carolina – Anda lá, tu
consegues convencê-los! Diz que somos só nós, eles vão deixar de certeza!
Afinal, oito olhos em cima de uma criança são sempre melhores que dois!
Alice – Está bem,
eu falo com eles, mas sem compromisso!
(Os amigos continuam a falar, de
forma gradualmente mais imperceptível, porque se vai começando a ouvir o
barulho de um carro a trabalhar.
A cena corta para o Domingos a
conduzir, tarde na noite. A dada altura, ele mexe no espelho retrovisor, e nele
surge a máscara do assassino, no banco de trás. Ele olha para trás, com medo, e
é degolado, da mesma forma que Marisa. A cabeça dele cai sobre o volante,
acionando a buzina do carro.
Novo corte de cena abrupto para o
dia seguinte, com um polícia na parte de fora do carro, a preencher uns
papéis.)
Rui – Dois
homicídios em dias seguidos, as vítimas foram mortas da mesma maneira, não há
qualquer conexão entre elas… somos capazes de estar a começar a ter aqui um
caso interessante!
(Corta para uma cena da Ema a falar
por videochamada com a Carolina.)
Ema – Viste a
notícia, Tânia? Houve mais um homicídio, um senhor que foi morto ao volante do
próprio carro! Eu estou a começar a deixar de gostar disto, a sério!
Carolina – Sofia,
relaxa, OK? Deve haver uma explicação para isto, não te preocupes! De certeza
que é só um maluco qualquer a vingar-se dos bullies do Liceu, ou assim!
Tem calma!
Ema – Ai, eu não
sei! Será que não preciso mesmo de me preocupar?
Carolina – Claro que
não! Ainda por cima hoje vais passar a noite connosco, estás segura! Vá,
relaxa! Eu tenho que ir à minha vida. Beijinhos!
Ema – Beijinhos!
(A Ema desliga o telemóvel e
pousa-o na cama. De repente, ouve barulhos na cozinha. Levanta-se, vai até lá,
e vê, perto da janela, o assassino, de costas. Ele vira-se de repente, com uma
faca na mão, e corre em direcção a ela. Ema grita por ajuda, enquanto corre e
atira coisas ao assassino. Ela esconde-se atrás da cama, tensa, enquanto ouve
os passos a aproximarem-se. Alguém bate à porta. Ema corre até lá, com um pau
na mão, abre-a de rompante, e é Guilherme, que ela abraça com força.)
Guilherme – Ei, estás
muito contente por me ver!
Ema – Obrigado,
Francisco! Obrigado, mesmo!
Guilherme – O que é que
foi?
Ema – O
assassino… ele estava aqui!
Guilherme – Estás a
gozar?
Ema – Não, eu
juro! Ele estava aqui agora mesmo e acho que tu o afugentaste, a bateres à
porta!
Guilherme – Então
parece que fui o herói da história de hoje, hein? Mas tem calma, ele já não
está aqui! Podes descansar, OK?
Ema – Ai, eu não
consigo! Eu estou cheia de medo, por favor ajuda-me!
Guilherme – Não
precisas de ter mais medo, OK? Eu vinha-te agora mesmo buscar para irmos
andando para a casa da Vera, que ela pediu-me para ir mais cedo, para ajudar a
preparar as coisas para logo. Vais deixar de estar sozinha, ele já não te vai
fazer mal!
Ema – OK,
obrigado!
(A cena fixa-se na cara de Ema, que
está assustada, e há uma transição em fade para a cena deles, sentados no sofá
a comer pipocas, enquanto veem o “Scream” na televisão.)
Guilherme – Bom, esta
parte é mais chata, vou aproveitar para ir à casa-de-banho. Queres que deite um
olho à Mariana?
Alice – Se não te
importares, agradecia!
Guilherme – Claro que
não!
(Guilherme sobe as escadas. Ao
passar pelo quarto da Mariana, abre ligeiramente a porta e vê-a lá dentro a
brincar.)
Guilherme – Então,
Mariana? Está tudo bem?
Helena – Sim!
Guilherme – Estás a
brincar a quê?
Helena – Às
princesas. A Elsa matou a Rapunzel, como aquele senhor que deu na televisão!
Guilherme – Ah, está
bem! Vá, diverte-te! (sai do quarto e fecha a porta atrás dele) Criança
estranha!
(Entretanto, no andar de baixo, as
amigas continuam a ver o filme. De repente, a televisão desliga-se.)
Ema – Então?!
Alice – Que
estranho. Alguém carregou nalguma coisa?
(Quando Alice se levanta ir ver o
que se passa com a televisão, a Carolina e a Ema veem, refletido na tela, a
máscara do assassino. Olham para trás do sofá, assustadas, mas não está lá
ninguém. Quando tornam a olhar para a frente, está lá o assassino, atrás da
Alice. Ambas suspiram de susto. Alice, confusa, questiona-as.)
Alice – O que foi?
(O assassino agarra a Alice,
tapa-lhe a boca e mete-lhe a faca à frente do pescoço. Alice fica assustada,
mas dá-lhe um pontapé para trás. Ele cai, gemendo de dor.)
Carolina – Temos de
sair daqui!
(As três saem a correr da sala.
Carolina e Ema sobem as escadas, com o intuito de se esconderem num quarto.
Alice vai em direcção à garagem. O assassino segue as primeiras duas.
Elas duas escondem-se atrás da
cama, sentadas no chão. O assassino entra no quarto. Ao mesmo tempo, Alice
procura algo para se defender na garagem, alumiando o que vê com a lanterna do
telemóvel.)
Carolina (sussurrando) – Não faças
barulho nenhum!
(A Ema começa a hiperventilar, o
que chama a atenção do assassino, que salta por cima da cama para a frente
delas. Ema dá-lhe um pontapé, mas o assassino agarra-lhe o pé. Carolina salta
para o outro lado da cama, ao mesmo tempo que o assassino pega na Ema, a
levanta, e lhe coloca uma faca encostada à barriga.)
Ema – Tânia,
salva-te tu!
Carolina – Eu não te
posso abandonar aqui!
Ema – Por favor!
(A Carolina, ainda que contrariada,
acena que sim com a cabeça. Sai do quarto a correr. Ema é esfaqueada várias
vezes na barriga e cai ao chão, morta. Carolina corre escada a baixo, usando o
telemóvel para ligar à polícia.)
Carolina – Vá lá,
atendam, por favor! Sim! Oh, obrigado! O meu nome é Tânia Neves, estou na Rua
Leonardo DiCaprio, Nº 17, e está aqui o assassino mascarado! Por favor, venham
rápido!
Polícia (som do telemóvel) – Estamos já
a caminho!
(Carolina desliga o telemóvel, chega ao
fim das escadas, e dá de caras com a Alice. Ambas se assustam e dão um grito.)
Alice – Tânia,
estás bem!
Carolina – Sim, mas o
assassino apanhou a Sofia!
Alice – Estás a
falar a sério?
(A Carolina acena que sim, com
tristeza no rosto. Ouvem-se, novamente, barulhos no andar de cima, e gritos de
Guilherme. Ambas olham uma para a outra, Alice dá uma “arma” à Carolina, e
sobem as escadas. Quando chegam lá, abrem a porta da casa-de-banho devagar, e
dão de caras com o Guilherme, no chão, cheio de sangue nas mãos e no rosto.)
Alice – Francisco,
o que te aconteceu? Onde está o assassino?
Guilherme – Acabou de fugir
pela janela! Ele ia tentar matar-me, mas acho que os meus gritos por ajuda o
assustaram!
Carolina – Mas ainda
bem que estás bem!
Alice – Espera aí!
A Mariana?
(Alice corre, preocupada, para o
quarto da irmã de 6 anos, com medo que algo lhe tenha acontecido. Abre a porta
de repente, e ela continua lá, a brincar com as bonecas.)
Alice – Ai, está
tudo bem! Não saias daqui, está bem? Nós estamos só a tratar aqui de umas
coisas.
Helena – OK, mana!
(Os três descem as escadas,
Guilherme meio a mancar, e vão-se sentar na sala. Guilherme parece estranho, e
todos se olham com desconfiança.)
Guilherme – Está tudo
bem convosco?
Carolina – Sim, sim,
está!
Guilherme – Vocês não
acham que eu sou o assassino, pois não?
Alice – Não, claro
que não! Que ideia parva, Francisco!
Guilherme – Pronto,
ainda bem! Estava com medo disso.
Alice – Não, não,
não… (finge mexer nos bolsos, como quem procura algo) O meu telemóvel…
Acho que o deixei na cozinha!
Guilherme – Se
quiseres, posso ir lá buscá-lo!
Alice – Obrigado,
Francisco!
(Guilherme levanta-se para ir
buscar o telemóvel. Entretanto, as duas amigas falam uma com a outra.)
Alice – Não achas
estranho ele ser o único que não estava connosco quando apareceu o assassino?
Carolina – Sim, e
mesmo aquilo de ele ter “fugido” quando nós chegamos à casa-de-banho não me
pareceu muito convincente…
Alice – Tu achas
que…
(A fala de Alice é interrompida
pela chegada de Guilherme, a cambalear e com o telemóvel na mão. Ele fala de
forma muito arrastada.)
Guilherme – Está aqui o
teu telemóvel.
(Guilherme cospe sangue da boca, e
a câmara desce, revelando um enorme corte na sua barriga. Volta a subir para o
rosto. Guilherme cai e, atrás dele, está o assassino. As amigas entram em
pânico. O assassino atira-se, de imediato, à Carolina, que estrebucha, mesmo
com o assassino a esfaquear-lhe a barriga. Alice vai-lhe atirando coisas.)
Alice – Larga-a,
seu psicopata!
(O assassino deixa a Carolina cair
no chão, inconsciente. Aproxima-se de Alice, que vai recuando, até não
conseguir mais, por ser travada pelo sofá.)
Alice – Por favor,
não me faças mal!
Assassino (com a voz alterada) –
Não
te preocupes, não é preciso!
(O assassino deita as mãos à
máscara, começando a retirá-la lentamente. A câmara foca em Alice, cujo ar de
medo vai sendo substituído por uma expressão de surpresa. Quando volta de novo
para o assassino, percebe-se que ele é a Helena, irmã mais nova da Alice.)
Helena – Olá, mana!
Alice – Mariana?
Como foste capaz? Porque é que fizeste isto tudo?
Helena – Eu estava
só a brincar, mana! Estava a ficar farta das minhas bonecas, apetecia-me
brincar com alguém!
Alice (em choque) – Eu não
acredito! Não pode ser verdade!
Helena – Também
queres brincar comigo?
Alice – Não, por
favor não!
(Começam a ouvir-se as sirenes da
polícia.)
Helena – Bom, parece
que a brincadeira vai ter de ficar para outro dia! Adeus, mana!
(Helena vira costas e dirige-se
para a saída. A câmara torna a virar para a Alice, que permanece em estado de
choque, e apenas consegue proferir umas palavras.)
Alice – Eu já não
quero brincar mais…
(A tela corta para preto e fim!)
sinto-me: Esfaqueado e stressado para a frequência que vou ter dentro de umas horas...
ResponderEliminarmúsica: Nick Cave And The Bad Seeds - Right Red Hand