17/10/2026

Abóboras e Paganismo

 Fica o aviso: para a semana, não vai haver crónica no Sábado, porque vem aí um especialmente prolongado especial de Halloween d’A Psique! A partir de dia 23, estejam atentos.

 

Ahoy, marujos! Que é de vós, que tanto por aí andais? Esta semana, n’A Psique, regressamos aos temas mais tradicionais, com um pot-pourri de questionamentos acerca do Dia das Bruxas, que está aí à porta e promete ser muito, muito divertido (se bem que, na minha cidade, optaram por saltar dois meses e já começaram a meter as decorações de Natal na Avenida…)!

No dia 29 de Outubro de 2022, saía a crónica “Terror de Perdição”, na qual eu dizia o seguinte:

 

“Eu não gosto de filmes de terror. Não gosto, porque tenho algum interesse em dormir à noite. É uma coisa minha. Mas não é só por isto que não gosto, mas também porque esses filmes me chateiam. Há coisas muito parvas a acontecer, imensa previsibilidade, um plágio constante de uma fórmula já gasta.”

 

Ora, este Guilherme era parvo, e o tempo ajudou-me a perceber que o Cinema de Terror é, sim, muito giro, mas primeiro é preciso aprender a viver com esta coisa de que, ou não se dorme e está tudo bem com isso; ou então perde-se tempo a ver a coisa mais ridícula e irrealista do Mundo, mas ao menos dá para rir! Por exemplo, eu não acredito que alguém vá ver os filmes da “Sexta-Feira 13” com a ideia de que vai sair dali um “O Padrinho” ou “O Padrinho, Parte 2”; a gente vê porque aquilo é estúpido, porque tem bastante nudez, e porque é profundamente divertido! Agora, há bons filmes de terror? Há! Mas também estou convencido que o Halloween não puxa para um filme de terror de qualidade. Cinema independente é para o resto do ano, quando nos apetece sentir alguma coisa; em Outubro, o que se quer é Cinema do mais industrial e formulaico que para aí há! Para quê ver um “Silêncio dos Inocentes” ou um “Get Out” se podemos ver “A Ensanguentada Noiva de Drácula” ou o “Massacre do Microondas”? E isto não significa que estes filmes sejam maus (que, por acaso, são), significa apenas que são mais fáceis de degustar, são um aperitivo mais saboroso, e uma altura pitoresca como a do Dia das Bruxas pede sabor!

Falando em sabor, e embora já tenha abordado este ponto nos idos de 2022, é sempre importante falar na Doçura ou Travessura. À época, eu referi o facto de, de uma forma geral, a população Portuguesa não estar preparada para receber crianças a pedir doces à sua porta – é natural, isso não é culturalmente usual para nós. Mas se as crianças têm o real objectivo de implantar esta tradição nas casas Portuguesas, creio que não só devem começar, desde pequeninas, a educar os seus familiares neste sentido, como também devem mudar a sua abordagem no porta-à-porta, a ver se deixam de ser encaradas como Testemunhas de Jeová de Satanás, ou seja, Testemunhas de Jeová…

 

(Sketch: Porta de entrada de uma casa. Ouve-se alguém a bater. Um senhor vai abrir e dá de caras com uma criança mascarada.)

 

Criança - Doçura ou Travessura!

Senhor - Ó rapaz, vou ser sincero, não tenho nada aqui para te dar. Sabes que eu já sou velho, já não ligo a estas coisas…

Criança - Então vamos à travessura!

Senhor - Pronto, pode ser! E que travessura é?

Criança - Bom, normalmente eu opto por uma de duas vias: ou atiro ovos e farinha à sua porta e saio a correr, ou procedo ao seu assassinato e posterior profanação do seu cadáver…

Senhor - Pois... Eu acho que tenho aqui meio pacote de bolachas Maria, serve?

 

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Outra coisa de que eu sinto falta no Halloween é de uma boa selecção musical, mesmo ao estilo da época Natalícia. A gente não se sustenta com o “Thriller” e o “Monster Mash”; são músicas porreiras, mas insuficientes. O que é que eu venho propor, então? Venho propor que, num esforço colectivo, construamos um banco de cantigas de Halloween. Para isso, é preciso a colaboração de quem queira ajudar, mas principalmente dos grandes compositores e cantautores da nossa praça. O Sr. Paul McCartney fez o “Wonderful Christmastime”; porque não fazer também o “Marvelous Pumpkintime”, ainda mais agora que tem a voz, coitado, que até mete medo? A Mariah Carey fez o “All I Want For Christmas Is You”; porque não aproveitar o videozinho deste ano dela a descongelar para lançar um “All I Want For Halloween Is Your Skin”, por exemplo? Por que não?! Para mostrar que isto não é só garganta, vou dar o pontapé de saída neste movimento com uma composição minha – a parte da letra, pelo menos, que eu não sou assim TÃO talentoso -, a que eu chamei “Halloween Is Here”:

 

- Versão em Português: -


Nem imaginas o que eu vi passar aqui

Numa vassoura, nariz grande, eu bem vi

Era uma bruxa a anunciar que está para vir

O dia dela, dia de Halloween

 

O tempo corre, ainda hoje havia Sol

E o que aí vem não é para gente mole

 

O tempo muda, há só bruxas pelo ar

Vêm dizer que o Halloween está a chegar

 

Escondam-se em casa se não quiserem tremer

Que o Halloween está aqui para valer

 

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- Versão em Inglês: -

 

You won’t believe what I just saw the other night

On a broomstick, with a big nose, I saw it, alright!

It was a witch, announcing that it’s drawing near:

Her special day, the day of Halloween.

 

Time flies: just yesterday, the sun was shining bright,

And what is coming next is bound to make you hide.

 

The weather’s shifting, and the air is full of witches

They’ve come to say that Halloween is getting stitches.

 

Go hide away, unless you want to shake with fright,

For Halloween is here, and it’s a spooky night!

 

Pronto, foi isto. Até à próxima!



1 comentário:

  1. sinto-me: Cansado, que isto está a ser uma matiné das bruxas que nem vos digo nada!
    música: Bobby (Boris) Pickett And The Crypt-Kickers – Monster Mash

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